sábado, 27 de fevereiro de 2016

Capítulo 13


A primeira conquista da rainha.




A brisa gélida castigava as paredes rochosas esburacadas, tornando o clima pouco agradável para optação de passar a noite. O local, rotineiramente calmo e de dominante quietude, perturbado apenas pela euforia dos Zubats e de pequenos punhados de treinadores que se arriscavam na travessia até Cerulean, teve seu cotidiano alterado nos últimos cinco dias abruptamente. A baixa luminosidade que tanto agradava aos moradores dali, foi roubada por uma série de lâmpadas instaladas em modo de gambiarra que facilitavam a visão dos caminhões de carga que por ali necessitavam transitar. O que dava deixa para que uma leva de visitantes aproveitasse para explorar a caverna, a qual os mistérios e lendas atribuídos a seu nome inflavam a curiosidade dos forasteiros.

A semana fora bem difícil para os membros daquele grupo, e até onde haviam verificado, para os seus vizinhos não fora diferente. Os rituais costumeiros se tornaram impossíveis de serem realizados por conta da demasiada de tempo dedicada a evitar os intrusos desgraçados e na tentativa de todas as maneiras ocultar seus segredos que por séculos mantinham as escondidas. Naquela noite acontecia uma reunião de importância vital, estavam dispostos a retribuir os incômodos recentes. Os membros, dispostos em vários tamanhos e idades, levavam a coloração de pele rosa em comum, além do delicado hábito de saltitar ao se locomover.

Havia uma grande falaçaria de sussurros agudos, quase guinchos, até a chegada da líder do grupo – ou pelo menos era o que dava a entender. A mesma era o dobro do tamanho dos maiores e em suas costas brotavam um par de asas que lhe davam um ar angelical, sua expressão, porém, dizia o contrário: as sobrancelhas contraídas indicavam raiva acumulada e desejo de vingança. Tomou lugar no palco, na verdade, apenas uma rocha de superfície linear semelhante a um toco de árvore, assim captando a atenção de todos os presentes. Nesse momento, peço-lhes desculpa, caros leitores, pois um tremendo leigo como eu desconhecesse a língua com a qual aquelas criatura se comunicavam, sendo assim não sou capaz de informa-los o que de fato o que se passou ali, mas dou-lhes a certeza de que o fogo nos olhares e os gritos em uníssono do final não virão a render frutos pacíficos.

Do lado de fora do Mt. Moon, muito mais do que iluminado pelo brilho único da Lua e das constelações, contando agora com a ajuda diversas luzes advindas de postes, holofotes, luminárias, faróis e pisca-piscas que surgiram ali tão rápido feito mágica. Nem todo o barulho unido desde a criação do planeta naquele local se equiparava ao feito naquela singular noite. Talvez fosse até mais fácil para um homem contar o número de grãos num saco de açúcar do que o número de barracas instaladas ali. Ursos de pelúcia, bottons, pulseiras, itens de colecionador, vestimentas, além de comidas caseiras, pedras evolutivas – e outras tantas coisas uteis para treinadores – e até mesmo pokemons (“Olha o Margikap fresquinho!”) estavam sendo vendidos a gritos por comerciantes fervorosos que aproveitavam a multidão que invadia as ruas exercitando seus hábitos consumistas.

O centro Pokémon. Esse, vocês já devem ter uma vaga ideia do estado caótico antes mesmo das minhas descrições. Talvez a palavra ‘caos’ tenha sido inspirada a partir de uma situação semelhante ou até mesmo mais calma que aquela. Cinco Joys, doze estagiários e um batalhão de Chanseys e Blisseys encontravam-se em sérios problemas. Como era o único local em nas proximidades para se hospedar, TODOS os turistas estavam disputando em fúrias um dos quartos para poder passar a noite. 

Quem viu o prédio há alguns meses provavelmente não o reconheceria depois da última reforma, que aumentaram em três vezes a capacidade de hospedes, e mesmo assim se mostrando pouco efetiva frente a fila de espera. No refeitório, um par de Abras serviam as mesas através de suas habilidades telecinéticas, já que até mesmo as formigas estavam encontrando dificuldade para se movimentar entre tantos pares de pés. Na enfermaria, uma pressão fora das escalas. Todos ali, pokémons, é claro, eram participantes e precisavam estar prontos até o amanhecer. Alguns necessitavam apenas de uma simplória revisão, outros haviam se machucado durante os ensaios, e os mais críticos eram vitimas de vitaminas falsas prometidas de elevação no desempenho e que no final acabaram por encama-los com febre alta e vômito constante.

Todo aquele desespero obrigou vários a procurar uma opção alternativa, e assim fizeram nossos pupilos – contra a vontade de Leaf, sim, ela fez um escândalo daqueles, naturalmente. Armaram duas tendas, uma para os meninos e outras para as meninas, e uma fogueira onde assavam marshmallows. A caminhada até ali tinha sido árdua e consequentemente todos aparentavam exaustos, porém, Layla não se deixou vencer por isso e decidiu terminar os últimos preparativos da sua apresentação do dia seguinte nos confins da Rota 03, sem hora pra voltar.

- Você realmente acha que não vai precisar ensaiar ou fazer algo do tipo para amanhã? – questionou Rick casualmente, enquanto soprava seu marshmallow antes de comer – Achei que pelo menos na véspera ia se dar o trabalho de se preparar... sabe, todos aqui me pareceram bem confiantes e seguros do que estavam fazendo. Não vai ser uma tarefa fácil.

- Claro que não. – respondeu com desdém, sentada num toco de árvore – O tema é moda e, definitivamente, nisso eu sou expert. Além do mais, liguei para papai enquanto estávamos na área urbana e pedi para que ele contratasse um renomado estilista para confeccionar meu look de amanhã. Não tem como eu perder!

- Humm... eu não entendo muito de Contest, mas já assisti alguns pela televisão e sei que originalidade é um ponto importante. – discorreu Red – Então, que tal ao invés de você levar a roupa já pronta seria interessante se a mesma fosse confeccionada ao vivo no palco.

Os outros dois se entreolharam e depois se voltara para o moreno, estagnados. E ele logo se corrigiu:

-Não que eu tenha alguma intenção de ajudar essa daí, é claro. Foi só uma ideia que tive.

- Péssima, inclusive. Esqueceu que pessoas do meu pedigri não sabem costurar?

-Mas eu sei! – exclamou – Lá em Kalos, eu sempre ajustava e consertava as minhas roupas, tenho certa experiência. Teve uma vez que até me arrisquei a fazer uma com ajuda do meu Laversta e ninguém encontrou defeito algum.

- O que é um Laversta? Algum tipo de máquina de costura? – indagou a menina, curiosa.

Em resposta, o professor liberou de uma de suas pokebolas uma larva gigante. Seus olhos brilhavam em um azul intenso em meio a pele escura coberta de um pelo branco lustroso. Ele andou lentamente até seu dono, meio sonolento.


- Larvesta, o Pokémon tocha. Ele costuma viver na base de vulcões e espanta seus oponentes liberando chamas de cada um de seus cinco chifres.

-Uau! Nem sabia que nossas pokédex continha informações de pokemons não nativos de Kanto.

- E como esse super-inseto pode me ajudar? Você vai me aluga-lo? – retirou da bolsa um bolo de notas graúdas.

- N-NÃO!!! – bufou - É que o Laversta tem uma moveset semelhante a da sua Butterfree por compartilharem o Bug-type. Ou seja, nós podemos dar-lhes algumas dicas.

- Eu vou ter que levantar daqui???



O dia nascera repleto de calmaria. Nem sinal de sol forte ou chuva aparente; clima perfeito para ocasião. Os portões da grande construção circular onde aconteceriam as competições haviam sido abertos mais cedo para que o público pudesse se acomodar sem baderna, a grande maioria dos coordenadores já estavam em seus camarins colocando suas roupas e acessórios, afinal, o visual era o grande ponto do dia.

O trio ainda não havia retornado de seu acampamento improvisado. O motivo: Layla ainda não havia retornado desde que sairia para seu treinamento secreto na noite anterior. Depois de gritar por seu nome e procura-la até onde a grama alta permitia, resolveram retornar e alertar as autoridades sobre o sumiço da colega, afinal, Leaf não podia se atrasar para o torneio.

O Centro Pokémon, agora mais pacífico, apenas se preocupava em entregar os pokemons que ficaram para check-up para seus devidos treinadores, já que todos decidiram ir comer guloseimas que estavam sendo vendidas nas barraquinhas do lado de fora. No balcão, lá estava a garota de cabelos loiros desaparecida.

- O que você pensa que está fazendo, garota? Estamos a horas te procurando. – cutucou a coordenadora, nervosíssima.

- D-Desculpa pessoal... Não consegui encontrar o caminho de volta... Passei a noite na rota... Juro que não foi intencional. – desculpou-se, desapontada.

- Você é Leaf Slade, certo? – perguntou uma das Joys, recebendo um aceno de cabeça como reposta – Essa encomenda é para você. – entregou uma caixa rosada com adornos cintilantes.

- O MEU VESTIDO CHEGOU!!! – pegou o presente, eufórica e partiu para o camarim – Vejo vocês no palco.

- Acho que ela está mais animada pelo vestido do que pelo Contest. – sussurrou Newhouse.

- Hehe... Acho que eu também devo ir... Sabe, tenho que me aprontar... Até mais tarde – acenou um tchau e zarpou.

- Vamos depressa! A patricinha conseguiu camarote pra nós.– sugeriu Riordan.

A multidão aguardava ansiosa o início do torneio. Muitos haviam trago instrumentos para intensificar o barulho como tambores, gorgonzolas, apitos e etc, além de outros que estavam fantasiados comicamente de animais e personagens de desenho animado. Nos bastidores, Leaf estava escova pela última vez seus cabelos, tendo cuidado para não amassar seu vestido pomposo purpuro, típico de festa do século XVII. Não havia demonstrado insegurança ou nervosismo até então, mas agora, sozinha, suava. Não pela plateia, ou por não estar tão preparada quanto os demais, e sim porque aquele era o momento de mostrar ao seu pai que já era alguém de maturidade, ela sabia que todos na mansão estariam a assistindo. Não podia falhar.

No palco quatro jurados estavam a postos na comissão julgadora. Um deles era um homem por volta dos 40 anos especialista em Contests,; o outro moço, bem vestido, era famosos por produzir os looks mais extravagantes das celebridades; completando a mesa estava uma das Enfemeiras Joy, sorridente; e por último a aquela que roubava todas as atenções: Agatha, a ex-elite 4.

-Senhoras e senhores! Damos hoje início a temporada de Contest da região de Kanto!- anunciou Mary, no centro palco, prosseguida por gritos e algazarras por parte da plateia – Como nossos competidores já tem conhecimento, agora a fase de performances terão temas atribuídos as mesmas, que obrigatoriamente deve ser abordado de alguma forma sob risco de eliminação.

- E o tema de hoje é MODA! –continuou, captando por completo a atenção de todos – Gostaria de aproveitar a oportunidade para dar boas vindas para um dos maiores ícones dessa região que estará nos acompanhando de pertinho esse ano. Palmas para Agatha, a mestra dos fantasmas!

Palmas explodiram de todos os cantos. Todas as gerações adoravam a old lady.

- É um enorme prazer está de volta a esses palcos depois de tanto tempo, ainda mais nessa honoraria situação. – disse a velha, voz rouca, levemente acanhada.

-IT’S SHOW TIME!!!- exclamou, atiçando o público mais uma vez.

As performances perduraram durante toda parte da manhã. Por se tratar de uma competição onde a grande maioria estava debutando no ramo, não houve muito espetáculo para se impressionar. Em suma, boa parte apostou em looks e combinações básicas, apresentações limitadas, pouca ousadia – pecando no quesito originalidade- e insegurança de sobra.

Ora ocorriam cenas interessantes que quebravam a monotonia que começava a perpetua-se por ali. Como o Ponyta que colocara fogo acidentalmente na própria roupa por meio de suas crinas flamejantes ou um Meowth que picotou o vestido de sua mestra até que sobrasse apenas um biquíni do mesmo, instigando o público conservador.

-Temos aqui participantes bem ousados hehe – falou a apresentadora, instruída pelo diretor a contornar a situação – Vamos dar uma pausa para os comerciais e voltamos já!

Uma Leaf desconhecida até o dado instante. A coroa que tanto estava animada para usar jazia esquecida no chão. Sua parceira voava e seu redor tentando reanima-la, mas nada parecia surtir efeito. Era quase um acesso. O estagiaria já havia a chamado, seria a próxima e nem mesmo conseguia sair do lugar.

Ring. Ring. Ring. Tocou o telefone do camarim.

-Filha? – disse uma voz feminina, recebendo um “sim” abafado como resposta – Como você está, minha querida? Estamos todos aqui em frente a TV ansiosos pela sua vez.

- Pai, por favor, me deixa voltar, eu já aprendi minha lição. – desabafou, sabendo que estava no viva voz – Mãe, eu não vou conseguir, eu não vou...

- Essa não é a minha filha que conheço. Lembra-se de quando estávamos em um desfile em Sinnoh e você subiu no palco sem ninguém perceber e começou a desfilar juntos com as modelos? – todos riram – Ou de como estava imponente quando ganhou o titulo de rainha do baile na escola? É a mesma coisa, meu amor. Confio em você!

-Todos nós sabemos o quanto você é poderosa, Leaf! – dessa vez era o pai – Se eu sentir que você deu o melhor de si nessa competição, mando um jatinho te trazer em um instante.

- Obrigado! Amo vocês! – enxugou as lágrimas, soluçando – Não vou decepciona-los.

- Agora é a vez de Leaf Slade assumir o palco! – anunciou a apresentadora, logo após a volta do intervalo, arregalando os olhos ao ler o sobrenome “Slade” em um de seus cartõezinhos.

Era hora de brilhar.

Da porta de entrada, donde todos os participantes saiam para chegar ao palco um longínquo tapete vermelho sem desenrolou curiosamente de maneira linear até o centro marcado com a figura de uma laço. Uma música agitada tomou conta dos nervos de cada presente, era quase impossível ficar parado. E lá estava ela imponente, confiante, poderosa desfilando como uma verdadeira angel em seu salto de cristal. O vento dava movimento aos seus cabelos castanho que sustentavam uma coroa dourada, uma das luvas brancas acenavam para a plateia que parecia ter acordado de um transe, enquanto a outra segurava firme a pokébola, a qual foi lançada para cima no momento em que chegou no fim do tapete.

- Meu nome é Leaf Slade e eu sou sua nova rainha! – exclamou, disparando um sorriso carismático – Butterfree, assuma o trono!

Assim que o lacre abriu, corações purpura flutuaram sob o local explodindo em tantos outros, enquanto a borboleta voava delicadamente em volta destes, belíssima, esbanjando a beleza de suas grandes asas minunciosamente polidas Ao som de um estalo, agitou as mesma criando uma lufada forte que destruir o efeito do selo, espalhando um pó cintilante, realçando a beleza da Pokémon.

A música agitada parou e outra lenta entrou.

A coordenadora se pôs a dançar. Seus passos eram leves e graciosos, sendo religiosamente repetidos por sua parceira que em algum momento produziu a partir de suas presas fios de sedas rígidos que se amarraram nos braços da mestra e trouxe aqueles pulos e saltos encantadores para o ar, onde tudo misturado com a doce melodia se tornava algo angelical.

- Uma dama precisa de um vestido a sua altura – disse, assim que pousou no chão – String Shot.

No alto, dezenas de fios de ceda tomavam conta da paisagem em parábolas no que mais parecia uma competição sobre quem faria o movimento mais circular, para tomar forma de um gigantesco coração. Estes desceram vagarosamente, impressionante pousando sobre o corpo de Butterfree que controlava-os com seu poder telecinético Confusion conforme seus chamativos olhos brilhavam em um tom azul.

-Finalize com Stun Spore.

Nessa altura, a borboleta já estava envolvida por um pomposo vestido resultante do seu movimento anterior, causando até mesmo um pouco de dificuldade no voo. Ao se agitar, liberou um pó cintilante amarelado que impregnou no tecido, dando-lhe cor e brilho, enquanto rodopiava ao redor de si mesmo em um bailar encantador.

As salvas de palmas e expressão de satisfação dos juízes ao pontuar com suas canetas nervosas nos papeis sob a bancada a fizeram sorrir. Definitivamente tinha conseguido, nunca se sentira tão realizada. A pokemon pousou em sua cabeça, afagando, em comemoração. Faltava apenas uma etapa até o ribbon.

- Tenho que admitir: você foi INCRIVEL. – elogiou Red no camarim, logo após anunciarem o resultado já premeditado, apenas 3 competidores agora a ameaçavam – Ninguém se ousou a  piscar.

- A Butterfree também demonstrou muito talento. Fiquei super feliz que o nosso treinamento de véspera surtiu tanto efeito – parabenizou também Rick.

- E vocês ainda tinham duvida de que eu iria perder? Quem é rei nunca perde a majestade. – brincou, fazendo os dois soltarem gargalhadas.

- Sabe, estou meio insegura para fase de batalhas – admitiu, depois de algum tempo de conversa – Nas apresentações vocês me ajudaram a preparar tudo, mas agora...

- Estamos aqui presenciando um momento de fraqueza da senhorita toda poderosa? Nunca achei que viveria o bastante para presenciar essa cena haha.

- Não comece, Red... Basta confiar em sua parceira e tudo ficará bem, não se preocupe. – se direcionou para a participante.

Os resultados saíram pouco mais de uma hora depois da última apresentação. Apenas um garoto havia conseguido nota suficiente para conseguir prosseguir na competição, o conheciam como Erik Parthena. As outras demais eram as já conhecidas Leaf e Layla, além da mestra do Meowth que chamou a atenção de todos na primeira fase. As chaves de batalhas foram decididas por sorteio ao vivo direto do palco, sendo que cada um já deveria inscrever previamente o Pokémon que utilizaria em ambas as possíveis lutas.

Leaf resolveu trazer Butterfree novamente para segunda fase, inicialmente para o confronto com Jessilina, uma garota de cabelos roxos e estilo rústico; trajando óculos enormes, botas de coro, vestido longo com babado e fitas no cabelo formando o famoso penteado “maria-chiquinha”. A mesma travou a luta ao lado de Drowzee – o qual a natural de Celadon achou a coisa mais chata do mundo.



E realmente foi. Apesar de estar na vantagem de tipo, a borboleta não possuía nenhum ataque de grande efetividade contra o psychic-type, limitando-se a apenas a criar alguns tornados para reduzir seu HP e atrasa-lo com seus movimentos paralisantes. Enquanto o mesmo, sonolento, não demonstrava muita animação com a situação a que estava sujeito, gastando boa parte do seu tempo tentando colocar sua oponente em um sono profundo, sua principal especialidade, que no final acabou não funcionando; perdendo todos os seus pontos em consequência.

A semi-final de Layla já havia acontecido, apesar de Leaf não ter visto por estar muito ocupada se preparando para sua própria, ficando de certa forma feliz pela vitória da amiga; sabia que ela queria uma revanche pela luta casual do dia anterior. Mas agora que já tinha passado pelo pior, não sentia mais medo, pelo contrário, estava começando a entrar em verdadeira sincronia com sua parceira alada e de fato pegando gosto por aquilo tudo. E afinal, se ganhasse, poderia finalmente voltar para casa e sua vida normal. Então não poderia perder.

Assim que o sinal foi dado e o relógio disparou as duas lançaram suas pokébolas para o alto, libertando seus respectivos representantes. Do lado de Leaf uma borboleta de asas e olhos gigantes deu o ar da graça, enquanto Layla trouxe sua inseparável Jigglypuff. As duas estavam tensas, porém, nenhuma ousaria demonstrar fraqueza naquele momento; cada momento, cada segundo decidiria a disputa.

- Não ache que porque somos amigas que irei facilitar... Espero que dê o melhor de si... Essa sua Butterfree é linda afinal de contas... Oh não, tenho que focar na batalha... Doubleslap.

- Estou aqui para vencer, pena que tenha que ser em cima de você, Layla. – cerrou o braço com firmeza, estava realmente determinada – Escape para o céu.

Dominadora do terreno aéreo, a criatura alada ascendia alto o bastante para ficar fora de alcance dos ataques de contato da oponente, que teoricamente estava limitada ao solo. Teoricamente. Graças a seu peculiar corpo inflável, Jigglypuff conseguia flutuar com facilidade, tornando o jogo de caça bem interessante.

Contudo, limitada aos movimentos das correntezas de ar, o perigo imposto no inicio foi logo colocado para longe em um movimento inteligente da borboleta que agitou suas asas, criando uma lufada de ar que nomeou um destino diferente para o Pokémon balão.

- Ganhe tempo utilizando Stun Spore. – no mesmo momento, dos pelos do inseto foi liberado uma nuvem de pó amarelo, que ao ser inalado causava uma espécie de paralisia – Isso aqui já está no papo.

Layla surtou ao ver os seus pontos despencarem no telão.

- Droga!... Se é um jogo de induzir status, vamos jogar... Compartilhe sua canção para o mundo... Sing... Se não podemos usar o céu, vocês também não...
Jigglypuff soltou a voz. Em uma melodia lenta, iniciou sua famosa canção de ninar. Cada nota parecia ter um toque sobrenatural que despertava um profundo sono em que ouvia. Aqueles grandes olhos lutaram para se manter abertos, mais logo cada músculo daquele corpo tinha entrado num estado de repouso.

- Parece que o jogo virou, não é mesmo?... Não se preocupe, ela não acordará por tão cedo.. Nem vai saber o que a atingiu... ROLLOUT! – bradou, confiante.

Leaf poderia até ser um pouco leiga quando se tratava de Pokémon e batalhas, mas o “OOOH” que a plateia soltou em coro claramente não podia significar muita coisa. O dano de 400% que um ataque rock-type causaria seria caixão e vela preta.

- ACORDE! ACORDE! EU ESTOU ORDENANDO! ME OBEDEÇA, SUA FILHA DA P***! – berrava, desesperada, sem uma misera evidência de sucesso.

Se transformando em um rolo compressor avassalador, ela girava cada vez mais rápido, talvez nem se a rival estivesse acordada conseguiria escapar daquele perigo. Não deu em outra: a flying-type foi chutada a metros de distância por um impacto que a deixou em estado crítico – foi até mesmo difícil avaliar se ela estava ou não fora de combate.

Foi quando se preparava para segundo e definitivo strike que o ser rosada foi azarada com a inatividade de seus membros, eles não respondiam mais aos seus comandos, não conseguia sequer se mover do lugar; a paralisia surtia efeito.

Milagrosamente, do outro lado do campo, a influência da canção de ninar perdia força, permitindo que o inseto enfim desperta-se. Ainda meio sonolenta, respondeu o comando de sua mestra e utilizou seu STAB principal, Gust, atiçando as correntes de ar e criando uma forte rajada de vento. Todavia, sua oponente já recobrava a locomoção e não se intimidou ao usar Fairy Wind, inspirando uma grande quantidade oxigênio e depois liberando o mesmo em um sopro de força máxima.

O encontro dos ventos no centro do palco deu iniciou a um tornado potente, que em no pico de sua fúria explodiu mandando de volta tudo o que havia absorvido, atingindo ambos as concorrentes.
Butterfree agora sequer conseguia reunir forças para levantar forças, limitada a se arrastar pelo chão.

-Fim da linha... Nesse estado é até melhor que desista... Você me proporcionou a melhor batalha da minha vida... Vai com tudo, Jigglypuff, finalize com Rollout!

Treinadora e Pokémon se entreolharam. Uma procurava esperava por um comando, enquanto a outra tremia demasiadamente, o bastante para não conseguir se concentrar em nada. A Fairy-type vinha com velocidade extremamente reduzida se comparada anteriormente quando executara o mesmo golpe, entretanto, com velocidade o suficiente para esmagar sua rival que jazia alquebrada.

Esgotando por completo suas energias, Butterfree laçou seus fios de seda no alto do telão e saltou como tarzã até ele, ficando completamente segura de ataques iminentes.

-YASS! – comemoravam os garotos na plateia.

- Como pôde?... Agora não faz mais diferença... Pelo menos você não pode mais nos impedir de voar... Vamos lá querida, acerta-a com Doubleslap!

-Confusion!- retrucou Slade.

Antes mesmo que Jigglypuff conseguisse se inflar novamente, ela foi atingida por uma forte dor de cabeça, tendo a sensação de cada um de seus neurônios entrava em combustão, deixando-a completamente atordoada.

O relógio zerou. Estava terminado.

- Chegamos ao fim deste contest e quem leva o prêmio para casa é... – todos os olhares se direcionaram para o telão pela penúltima vez – Leaf Slade, de Celadon!

A plateia explodiu novamente. Leaf mal pôde acreditar – mas não perdeu a chance de fazer poses para os fotógrafos espalhados pela arena. Em seguida, a própria Agahta veio lhe premiar com a ribbon que tanto almejava.

- Parabéns, garota. A Mt.Moon Ribbon é sua. Espero lhe ver mais vezes e quem sabe até no Grand Festival. – parabenizou-a, entregando uma caixinha onde jazia um broxe cinza.

- Pode crer que sim. – e acenou novamente para o público, agora com Butterfree em seus braços, ostentando sua nova conquista.

E pela última vez checaram o telão. Não para rever os pontos. Para se assustar ao vê-lo se definhar em chamas. Não só ele como também diversas partes do recinto, até mesmo algumas das saídas de emergência.


O dia só tinha começado.



To be continued...



PRÓXIMO CAPITULO

4 comentários:

  1. Ta pegando fogo bixo!

    "Clefable, fable fable. Cle!" Dizia a líder do grupo nas sombras da caverna do monte lua.
    "Feary... Cle?" Perguntou em duvida uma das menores jovens do grupo, como elas poderiam fazer aquilo? Era cruel demais! Mas parecia que só ela era contra, as outras gritavam em coro: "Cle! Cle! Cle!"
    Pobre daqueles que vieram aos dominions do monte lua, ela não poderia fazer nada alem de assistir? Só o tempo dirá... Continua!

    Pensei que ela ia perder esse primeiro contest, será que foi sorte de principiante? Ou a pequena Slade tem um talento nato? O que sera não?

    Até a próxima Gabriel.

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  2. Adorei essa sugestão de uma Clefeary do contra (claramente eu no meu grupo de amigos), quem eu até use ela hein?

    Você acredita que no capítulo original tinha umas falas bem desse jeito? Só que na minha cabeça um bichinho desses falando é tão fofo que quebraria todo o clima de tensão que eu tentasse criar.

    Sobre o contest, ela ganhou aos 45 do segundo tempo. Escrevi todo o episódio com o intuito de dar uma lição a essa garotinha mimada e fazer ela perder, mas quando chegou no final ela veio e me subornou, não tive como recusar kkkkkkk Mas sabe qual foi o legal? Parece até clichê ela ter ganhado, mas nesse caso não, pelo jeito que as coisas caminhavam não ia ser surpresa caso a derrota batesse na porta. Enfim, foi sorte de principiante. Da próxima vez prometo não pegar tão leve.

    Até mais, cara!

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  3. Desculpa a demora do comentário,é que demorou para eu ler o capítulo,estava fazendo outras coisas.

    Bem,tudo o que digo é que Leaf Slade arrasou no Contest e mereceu a fita.E a Buterfree dela foi incrível!Acabou com o Jigglypuff quando estava na desvantagem completa e pressão absoluta! (Exagerei um pouco mas foi mais ou menos isso aí)

    Bem,Gostei do Red e do Rick dando conselhos a Leaf,pois isso demonstra que mesmo que ela seja um pé no saco,eles ainda se importam com o que pode ou não acontecer a ela.

    Bem,é só,té mais!

    Ass:

    Supremo Líder da Ordem Da-Qual-Fazem-Parte

    Sir Naponielli

    Ps:Acredita que a correção automática do google identifica o Da-Qual-Fazem-Parte como Quartel-general?

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  4. Se você diz que demorou, imagine eu que nem sei onde enfiar minha cara. Desculpa mesmo pelo atraso, cara. Mas o importante é que estamos aqui, certo?

    kkkkkk nem foi exagero perto do Mister Drama aqui rlx (eu tenho um péssimo costumo de usar adverbio de intensidade em quase tudo). Enfim, sabe, nem acho que a Leaf mereceu tanto, afinal ela nunca fez por onde, foi literalmente sorte de principiante, inclusive no roteiro original ela perdia e saía chorando pelos cantos. Mas sim, essa parte da ajuda dos meninos foi crucial, tanto pro sucesso dela no contest quanto até mesmo para aproximação dos personagens.

    kkkkkkkkk por isso que eu desativo essas paradas de correção automática, é cada sugestão nosense.

    Até mais, cara. Valeu mesmo!

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