domingo, 11 de janeiro de 2015

Capítulo 10







Aula de Batalha


A caminhada fora longa para nossos heróis. Desde que deixaram a cabana de Evely já haviam se passado seis horas e a única coisa que haviam conseguido era a vista distante da cidade de Pewter, além de irritantes pokémons insetos que insistiam em perturbá-los na jornada.  Leaf já havia desistido quatro vezes de continuar alegando que assim que conseguisse sinal iria ligar para o seu pai para que este mandasse um helicóptero a seu resgate, e é claro, também queria sapatos novos, pois aqueles já estavam empoeirados.



Red estava muito ansioso, já que a alguns quilômetros dali, talvez muitos, se encontrava o local onde encararia sua primeira batalha de ginásio. Ele se lembrava de que Flint era o antigo líder, usuário de pokémons do tipo rock, onde combinava ataque e defesa em perfeita harmonia, porém ouvira boatos de que seu filho mais velho Brock havia assumido o cargo recentemente.



Eles nunca haviam se falado, mas lembrava-se muito bem dele nas reuniões de líderes em que geralmente acompanhava seu avô. Brock era sempre muito atencioso, e mesmo criança, já tinha uma postura muito madura. Já era um prodígio em sua região. Ele sempre carregava um Geodude para cima e para baixo, onde quer que fosse.



- Esse sol está estragando minha pele, essas comidas gordurosas estão me criando pneus, meu cabelo parece um ninho de rato e meu pé delicado está infestado de calos – reclamava incessantemente Leaf em estado calamidade pública – PRECISO DE UM SPA!!!



- Olha, se você precisa mesmo cuidar dessa pele sutilmente suja de dama das nojentas, eu me lembro de ter visto em algum livro de botânica que aquela planta ali tem resultados milagrosos de rejuvelhecimento facial. – Red apontou para um vegetal que crescia em meio aos arbustos bem próximos dali.



Rick lançou-lhe um olhar de desaprovação, mas o moreno lhe deu uma piscadela em resposta como se dissesse “ela merece”.



- Você está insinuando que eu estou velha? Minha pele está enrugada? – ela começou a procurar um espelho dentro de sua bolsa.



- Não, só estou querendo lhe ajudar para ver se assim você finalmente fecha essa matraca.





A lady ficou desconfiada com a atitude solidária do menino para com ela, por fim resolveu seguir o seu conselho pois nada era pior do que pele enrugada. Pegou a tal planta e esfregou euforicamente na face até...



-MEU ROSTOOO!!! RED NEWHOUSE VOCÊ VAI PAGAR CARO!!!!



“Urtigas, nunca falham”. Pensou o travesso.

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Cinzenta. Essa foi a melhor definição encontrada pelo trio para definir Pewter. As cores pareciam ter sido afugentadas dali há muito tempo, com suas construções feitas geralmente de pedras e madeiradas peculiares a cidadela dava a impressão de ter sido erguida no interior de uma caverna.



A economia dali era movida pela mineração de pedras preciosas. Numa rápida passagem pelas ruas eles foram abordados por vários vendedores que os apresentava quartzos que sugavam energias negativas, pedras de evolução instantânea e alguns fósseis de pokemons (falsos). Além disso, descobriram que a cidadela era responsável pelo fornecimento de petróleo e carvão para toda Kanto e grande parte das exóticas Ilhas Laranja.



Com a ajuda de uma mapa que arranjaram na entrada encontraram o Centro Pokemon com facilidade. Ele seguia o mesmo padrão do de Veridian - pelo menos na parte externa. O lado de dentro era muito bem decorado: as paredes marrons tinham texturas de granito, alguns desenhos primitivos manchavam o teto, remetendo-os as pinturas que os povos antigos realizavam nas cavernas, enquanto vários fósseis de pokemons ficavam a amostra em caixa de vidros suspensas.



O local estava bem lotado, dado essas condições eles notaram a real necessidade de a enfermeira Joy estar contando com a ajuda de um auxiliar. Era um rapaz que beirava os 19 anos, pele morena e cabelos negros espetados. Por debaixo da usual jaleco branco vestia uma calça verde esmeralda e uma camiseta listrada bicolor, marrom e laranja. O mesmo cuidava ora do atendimento ora do refeitório.




Foi ele que recepcionou nossos viajantes:


-Bem vindos ao Centro Pokémon de Pewter City! No que posso ajudá-los?



- Gostaríamos de reservar 2 quartos e um check-up para os nossos amiguinhos.



-Tudo bem, aguardem só um instante. – depois de registrar os viajantes no computador ele recolheu as pokébolas e lhes entregou duas chaves. – Estamos no horário de almoço, caso queiram se servir o refeitório é a segunda porta a esquerda.



Eles agradeceram a recepção – logo depois de Leaf reclamar sem se sentir constrangida na frente do recepcionista de que colchões de centros deixam suas costas doendo e que a água do chuveiro parece vim do pólo sul, sugerindo a instalação deles em um hotel de luxo e Red achando o recepcionista bastante familiar – e se dirigiram ao lugar onde finalmente saciariam sua fome.. Assim que adentraram o refeitório se sentiram em um formigueiro humano. Uma média de 45 treinadores se espremiam no cômodo, sendo que para alcançar os pratos eles tinham que literalmente nadar em meio a multidão.



Depois de fazer seus pratos, deram muita sorte em encontrar uma mesa de quatro assentos vazia que acabara de ser desocupada. Os três se sentaram e começaram a comer enquanto concentravam sua atenção numa casual discussão de treinadores da mesa ao lado.



“Todos viram como o seu Ratata foi massacrado com apenas um golpe daquele Onix.”



“Cheguei mais perto da insígnia se lembrarmos da surra que o Geodude deu no seu Beedril.”



Absortos na conversa alheia, não perceberam a aproximação de uma jovem figura masculina conhecida de um dos nossos heróis. Red se sobressaltou ao vê-lo. Era ele. Vivo. Arceus existia. Aquele boné da oficial de Liga Pokémon escondendo seu cabelo ruivo, o par de sapatos rubros estilosos... Não tinha como não reconhecê-lo.






Red estava atônito demais para falar, seus companheiros perceberam isso rapidamente ao vê-lo suar freneticamente como se tivesse visto um fantasma, então foi o ruivo que deu início ao dialogo:



-Red!!!- pulou de felicidade e partiu para um caloroso abraço- Não acredito que finalmente te encontrei, sabe lá Arceus as coisas que eu imaginei que teria acontecido com você depois do ataque... Você desmaiado a deriva... Eu juro que tentei... Mas tinha o Charmander e eu... Perdoe-me.



Era incrível como mesmo tendo passado uma quantidade de tempo irrelevante para a construção de uma amizade já eram tão próximos. Mas quem não ficaria depois de depositar todas suas esperanças em alguém para fugir das garras de piratas assassinos?



- Oh Arceus, você está vivo! O professor Oak disse que nem todos tinham sobrevivido, então eu... Como é bom te reencontrar!



Depois de trocarem abraços eles tiveram que relatar todo o incidente em auto-mar que haviam passados juntos à Leaf e Rick, que se encontravam perdidos em meio todo aquele emocionante reencontro. Eles pareciam irmãos.



Rick contou que fora salvo pelos policias e que teve que voltar com urgência para Cinnabar já que seu Charmander – que segundo ele já havia evoluído para Charmeleon- estava à beira da morte. Ele disse que tentou saber notícias sobre Red, mas ninguém tinha respostas. Então retomou seu caminho a Pallet e de lá fez uma calma jornada até Pewter, onde teve seu primeiro desafio em um ginásio de batalhas oficial e saiu consequentemente como vencedor.



- Parabéns, cara! Pelos comentários que ouvi o leader deve ser bem forte. - parabenizou o moreno.



-Sim, literalmente uma pedra no sapato. Levei dias formulando estratégias e preparando cartas na manga.



A patricinha não parava de reparar no velho conhecido de seu companheiro.





- Humm... Você aparenta ser uma pessoa bem culta. Sua família é de médicos, empresários ou políticos? – comentou Leaf, super interessada no garoto.



- Na verdade meu pai é motorista e minha mãe costumava ser professora. Justamente a precária condição financeira de minha família que me fez estar disputando a Liga Pokémon, precisa do prêmio em dinheiro para bancar o tratamento do câncer do meu irmão mais novo.



Engoliram em seco e nada mais foi falado até se direcionarem para os aposentos, onde tiveram a surpresa de descobrir que o quarto de Álex ficava no mesmo andar. Combinaram de descansar um pouco e no finalzinho da tarde fazer uma visita ao museu mundialmente conhecido da cidade.



Todos caíram como pedras na cama, exceto Red. Eram tantas coisas para pensar que definitivamente não conseguia dormir. A batalha de ginásio, a saúde do Scyther, o encontro com aquele Mew... Só queria voltar para os braços de sua mãe e se deixar cobrir por sua proteção.. Não. Agora ele já era um homem, e pela a primeira vez poderia tomar as próprias decisões. Será que conseguiria aguentar por muito mais tempo?



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Eram quase três da tarde quando todos se encontraram no hall do Centro Pokemon prontos para a vista ao museu. Eles havia se livrado das roupas de viagem e usado vestuários mais leves para conseguir sobreviver ao sol forte que castigava a região.



-Pessoal, infelizmente acho que não vou poder acompanhá-los até o museu. – comunicou o Newhouse – Não estou muito confiante sobre a batalha de ginásio, então pensei que seria melhor fazer um treinamento de última hora hoje.



- Não acredito que você combinou tudo e agora está saindo agora de fininho, plebeu desgraçado!



- Se quiser posso ficar e te ajudar – se ofereceu Álex, parecendo bem animado.



-Então somos só nós dois, princesa. -  Leaf lançou um olhar fuzilador para os dois treinadores e enfim fez seu caminho ao lado do professor.



-Então, o que acha de termos uma batalha para vermos o que consegue fazer?



Red assentiu com um movimento de cabeça. Eles desceram as escadas, pegaram seus respectivos pokémons com Joy e se direcionaram para um pequeno campo de batalha de areia que ficava escondido atrás do hospital.



Eles decidiram usar dois pokemons cada, uma batalha em dupla. Álex pôs em campo um aparentemente frágil Pidgey e um furioso Nidorino. O primeiro era um pequeno pardal de penas marrons e cor de creme, com pico e pés de cor cinza rosada. Já o segundo era um quadrúpede púrpuro de orelhas grandes e pontudas com um chifre grande brotando do meio de sua testa.






O natural de Cinnabar por sua vez lançou seus únicos dois combatentes: Jade e Rocut. O último parecia muito abatido, apesar de estar visivelmente melhor após os cuidados que recebeu pela manhã.



- Que time legal você conseguiu! Espero que meus companheiros consigam tenham a performance do mesmo nível dos seus.



-Esperava ver o Charmeleon, mas tudo bem. Vou fazer as honras e começar:  Scyther Quick Attack, Bulbasaur Leech Seed!



O gafanhoto gigante partiu para um ataque direto veloz que foi interceptado por uma nuvem de areia criada por Pidgey, fazendo-o errar o alvo e Bulbasaur hesitar o movimento que se preparava para realizar.



- Acho que você subestimou muito meus pokémons, meu caro. Treinei todos intensamente da mesma maneira, nenhum é fraco. Utilizem o Poison Gust!



Red ficou bem surpreso já que nunca ouvira antes algo sobre aquele movimento, só depois de feito ele entendeu. A dupla do time de Newhouse ainda meio atordoado por conta do movimento anterior, foi acertada em cheio por um saraivada de espinhos encharcados de veneno que tinha seu poder de penetração significativamente aumentado por um poderoso tornado criado pelo passarinho o qual os fez entrar em rotação.



Bulbasaur apesar de ter agüentado muito bem o Poison Sting, recebeu um impacto grande do Gust, enquanto isso seu companheiro de batalha quase não tinha arranhões.



-Uau, seus combatentes são bem resistentes. – elogiou Alex, extremamente impressionado.



- E-Eh, parece que sim hehe – ele não sabia donde Scyther havia tirado tanta resistência, tivera tão pouco tempo para trabalhar com ele e seu antigo mestre não o treinava para as batalhas...não poderia ser o que estava pensando- Cut e Take Down!



O natural de Cinnabar se precipitou e optou por um ataque direto novamente. O pássaro criou outra tempestade que diminuiu a consideravelmente a velocidade dos adversários e dessa forma diminuindo o impacto em grande nível o impacto que causariam. Bulbasaur por exemplo levou a pior, sua técnica lhe prejudicou mais do que prejudicou o pequenino voador enquanto Nidorino se pôs em duas patas para receber o golpe de Scyther que provavelmente não teria nenhum tipo de dano se o ataque não estivesse tão aperfeiçoado.



-Você muito afobado cara, se não tiver uma boa estratégia nunca vencerá o ginásio desta cidade. Sintonia com seus parceiros é tudo. Veja  só isto: Nidorino, Peck!



A criatura venenosa partiu como um touro, o treinador adversário sabia do poder de destruição que aquele chifre rosado possuía e ordenou logo para que sua planta o interceptasse usando os seus flexíveis chicotes de cipó, os mesmo se atrelaram nas pernas da criatura purpura fazendo-o tropeçar e cair, ficando totalmente vulnerável para um  Quick Attack.



Eles tinham caído na armadilha. Concentraram-se tanto no monstro maior que se esqueceram do pequeno alado, que foi com um Gust poderoso pra cima da dupla, sendo este fatal para  Bulbasaur que ficou impossibilitado de continuar a partida seguido por Scyther que não agüentou um Bite surpresa do quadrúpede.



O jovem treinador estava dando uma aula para nosso herói.



-Impressionante, você dominou toda a batalha – elogiou Newhouse, desapontado- vocês foram demais, descansem agora.



Red retornou seus pokemons as suas respectivas pokébolas, e assim fez Alex também.



-Você lutou bem, amigo. Só precisa lembrar-se de estar totalmente conectado com a batalha, não pode se distrair por um minuto se quer, ou então criará uma brecha para seu adversário.



A certeza da derrota no desafio contra Brock ficava cada vez mais forte. Talvez fosse melhor desistir e voltar pra casa, a carreira de médico era mais promissora.





A noite dava olá para cidade das rochas. Leaf e Rick voltaram um pouco tarde da visita ao museu, mais estranhos do que o normal segundo Red. Quando perguntados sobre o que havia se passado eles disseram em uníssono “Nada e mais”, como se já tivessem ensaiado a resposta esfarrapada.



Depois do café o novo amigo da turma anunciou:



-Obrigado por tudo pessoal, mas preciso ir agora.



- Agora? Está bem escuro lá fora.



- Eu estou caçando um Pokémon novo por essas redondezas e mais fácil encontra-lo durante  noite.


- Fiquei um bom tempo achando que estava morto e agora você já vai... Não some de novo, por favor.


-Pode deixar - sorriu.


Após um abraço em grupo eles observaram o rapaz sumir na noite fria e perigosa de Pewter da sacada, desejando encontra-lo em breve











2 comentários:

  1. AAAAHHHHHH!!! A equipe de Alex é muito fod@! Red vai penar se quiser ganhar dele um dia. Primeiro tem o Charmeleon que eu nem preciso falar, depois vem o Pidgey que vai se tornar um Pidgeot mega-ultradivo que o meu pokémon preferido entre todos os pokémons aves do jogo e depois um Nindorino que vai virar um Nindoking destruidor de cavernas de anões (nem sei do que eu estou falando).
    Eu gostei muito do capítulo, preciso dizer que amo ver a Leaf dando chilique porque eu morro de rir. Você conseguiu dar sequencia a história de um jeito calmo e natural que só você sabe criar Gah, eu sinceramente queria ter essa habilidade. Parece que as coisas fluem com tanta naturalidade quando você escreve que você se vê preso na leitura e praticamente só percebe o quanto leu quando o capítulo chega ao fim.
    Pewter... Não vou dizer que seja uma das minhas cidades preferidas porque... Sei lá, eu gosto de árvores e não de pedras. Fora o calor que deve fazer aquele lugar, só gosto dele porque a gente ganha o âmbar que serve para ressuscitar o Aerodactyl. Eu estou ansiosa para ver a batalha do Brock, pois para mim ele é um ótimo líder. No anime Ash só ganhou dele pelo poder do protagonismo que permitiu que ataques elétricos fizesse efeito no Geodude e fez aqueles extintores de incêndio fossem ativados.
    Outra coisa que eu achei legal foi você ter demonstrado o quanto Red é inexperiente no quesito de batalhas pokémon e o quanto ainda tem que evoluir. No futuro quando olharmos para trás e vermos o Red tão inexperiente e inocente vamos sentir saudades, mas é o caminho natural das coisas. O primeiro arco da sua história está para se fechar *.*
    Até o próximo capítulo!

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    1. Eae, Carol! Tudo bem?

      EU AMO ESCREVER AS FALAS DA LEAF, sério, eu fico aqui um tempão rindo quando eu imagino ela falando algo. Eu me divirto muito, e fico feliz por saber que vocês também se divertem (Ela está aqui me dizendo que foi com a sua cara e está lhe convidando para um chá das cinco. Aceita?).

      Sim, Alex é durão. Ele está trabalhando muito duro com seus pokémons, pois a Liga para ele é caso de vida ou morte, e o Red vai ter que ralar muito para acompanhar o ritmo do rival. E como você mesma citou, ele está caçando os mais fortes dos 150 inicias (engraçado é o fato de que esse inicialmente era o time do próprio Red).

      Eu também não gostaria muito de viver em Pewter por causa do calor, mas o pior é que a minha cidade é tão quente quanto, a única diferença é já passamos da fase da idade da pedra. Sabe, acho uma injustiça só podermos ressuscitar o Aerodactyl no fim do jogo, quando nosso time já ta acima do LVL 50 e ele vem no LVL 5 PQP. Sobre a batalha, dei meu melhor para trazer aquilo de mais fod@ que consigo produzir, espero que goste. Só adianto que vai ser quente!

      Esses elogios seu sobre minha escrita tiram um peso de minhas costas. Eu estava muito preocupado sobre estar forçando demais o percurso da história e se minhas descrições estavam trazendo o leitor realmente para dentro da história. Agora senti que o dever foi cumprido. Obrigado mesmo, foi muito importante para mim! <3

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